Na sequência do artigo O drama do explicador, elaborado por vch, que contém a visão do explicador do jogo, resolvi criar um outro artigo sobre o outro lado do "tabuleiro", isto é, o lado de quem está a ouvir pela primeira vez a explicação de um jogo.
Existem diversos factores que, a meu ver, influenciam a compreensão (ou falta dela) de um jogo e, consequentemente, da forma como decorre a experiência do "jogo jogado".
1. Interesse e expectativa demonstrados relativamente ao jogo:
- Curiosidade para jogar partiu do aprendiz?
- É um jogador habitual?
- O jogo está adaptado ao pretendido pelo aprendiz?
- Gosta do tema do jogo (económico, civilização, aventura, guerra, abstracto...)?
- O jogo tem pouco/muito factor sorte?
- O ambiente está de acordo com o necessário para o tipo de jogo (iluminação, acústica...)?
- Os parceiros para o jogo estão motivados e já conhecem o jogo?
2. Características de quem faz a explicação do jogo:
- Capacidade de transmitir emoções e sentimentos capazes de despertar a atenção dos jogadores mais distraídos?
- Consegue transmitir todas as regas de uma forma simples e clara?
- Cria uma dinâmica, apelando e encorajando os outros jogadores a participarem nesta "fase do jogo" (preparação do tabuleiro, colocando questões, ...)?
- Procura encontrar uma temática para o jogo mesmo quando a mesma é quase abstracta?
- Consegue perceber quais os pontos mais importantes do jogo e os que deve reforçar?
- Dá conselhos sobre algumas estratégias para o jogo?
3. Conhecimento do jogo por parte de quem o explica:
- Leu as regras do jogo mas nunca o jogou: procura as primeiras "vítimas" para uma nova experiência.
- Leu as regras do jogo e jogou-o recentemente.
- Nunca leu as regras mas já lhe foi explicado o jogo: conhecem o jogo do "passa-a-palavra" (jogo que consiste em alguém dizer uma frase ao ouvido de outro que por sua vez deve depois passar a frase a outro; depois de se repetir este processo n vezes a frase acaba por ser completamente alterada)?
E no final do jogo, dependendo de diversos factores, tais como os atrás apresentados, o aprendiz terá tido uma experiência que o poderá levar a não querer tão cedo voltar a ver o jogo à sua frente ou a querer de seguida jogá-lo novamente.
De qualquer das formas, uma coisa eu recomendo aos aprendizes: dêem, sempre que for possível, uma vista de olhos nas regras, pois é provável a existência de lapsos, má interpretação das regras e de esquecimentos (tenho feito isto com alguns jogos e quantas vezes não encontro regras que não chegaram a ser explicadas)!
Criticar uma explicação é fácil, mas explicar um jogo pode não ser tão fácil como por vezes parece! Sugiro, a quem nunca esteve do outro lado do "tabuleiro", que o experimente e verá que pode ser um verdadeiro desafio!
Quem já o fez, sabe do que falo ;-)